-->

28-04-17

10 verdades que o designer precisa saber sobre o cliente

10verdades

Não existe cliente bom? Cliente é a pior parte do trabalho? Você precisa conhecer algumas verdades sobre o outro lado da força.

Se você é designer, sabe que não está sozinho na sua função. Pra realizar seus trabalhos você precisa de um público final e, felizmente pra alguns ou infelizmente pra outros, de um cliente.

Mas será que o cliente é este bicho papão tão temido pelos criativos? Ou será que parte do problema também está do outro lado da moeda, ou seja, no próprio designer?

Verdade seja dita, a relação contratado e contratante é praticamente a mesma em qualquer transação comercial. E no campo do Design não é muito diferente. O relacionamento no campo criativo tem suas peculiaridades, mas também depende de bom senso e equilíbrio, como toda relação humana.

Por isso, este artigo vem desmistificar esta visão distorcida sobre o cliente e dar algumas dicas de como o trabalho pode fluir de um jeito muuuito melhor.

E antes que você ache que este post foi escrito por alguém que trabalha no atendimento e tá puxando sardinha pro seu lado, não foi não. Sou designer (pois é!), e por incrível que pareça, não vou defender o cliente, mas ajudar você a se defender e manter uma relação saudável e botar na rua um trabalho ótimo.

Vamos às dicas:

1 – Deixe a preguiça de lado e coloque tudo descrito no orçamento e no contrato

Chegou uma proposta legal de freela pra você e o cliente pediu o orçamento? Segure sua ansiedade em responder e redija um orçamento bem detalhado. Seu cliente precisa saber a forma como você trabalha e o que pode ou não afetar os custos e prazos finais do trabalho. Diga a ele quais são as responsabilidades dele (custos com compras de imagens, envio de conteúdo, prazos de aprovação) e divida o trabalho em etapas, assim você vai evitar surpresas caso o seu cliente não tenha conseguido se expressar muito bem de primeira.

Depois do orçamento aprovado, crie um contrato online com validade.

Créditos: Greg Gunn

Créditos: Greg Gunn

2 – Estabeleça limites

Deixe claro que cada etapa de trabalho tem um limite de alterações, e todas elas dentro do escopo. Alterações que extrapolem este limite podem sim ter um custo adicional (afinal você calculou suas horas de trabalho) a combinar. E “alterações” que na verdade são refações de um projeto todo, com mudança de briefing, merecem ser consideradas um novo projeto. Mas sempre deixe isso MUITO CLARO no seu orçamento e na sua conversa com o cliente.

Você não vai querer um cliente chateado com um profissional que não deixou claro como funcionava o sistema de trabalho criativo. Nem todo mundo está habituado com isso.

E isso também evita clientes que vêm com más intenções desde o princípio.

pantera-cor-de-rosa-alteracao

3 – Seu cliente está do seu lado. Ele não é seu inimigo.

A partir do momento que o cliente encomenda algum serviço de Design ele está dizendo o seguinte:

“Por favor, me ajude a encontrar uma solução”.

Ou seja, seu cliente conhece os problemas e as dificuldades que está enfrentando. E sim, ele provavelmente conhece o público dele melhor do que você. E você é responsável por pegar essas informações e brilhar na criação de soluções visuais e projetuais.

Seu cliente pode até parecer meio quadradão, mas acredite, suas informações são valiosas. Não as ignore.

4 – Fale com o cliente como um bom médico falaria com você

Você está com um incômodo nos pés, uma coisinha feia na pele. Vai no médico e recebe a seguinte notícia: você está com uma dermatofitose do tipo Tinea Pedis. 

Você arregala os olhos e pergunta pro doutor se é grave e quanto tempo tem de vida, até descobrir que se tratava de uma simples frieira.

- Me dói o pescoço. - Busca um doutor. - Melhor um exorcista.

– Me dói o pescoço.
– Busca um doutor.
– Melhor um exorcista.

Ninguém gosta de “tecniquês”. O uso excessivo de termos técnicos fora do seu habitat natural assusta em vez de impressionar. Tente explicar pro seu cliente as nomenclaturas do Design e não espere que ele já tenha este conhecimento de antemão.

Quer um exemplo? Em vez de escrever no orçamento que uma das etapas do seu trabalho é a criação de um moodboard, descreva o que é um moodboard, para que ele entenda a importância disso em vez de somente ler e aceitar.

Aliás, quer saber o que é um moodbard?

5 – Seu cliente precisa entender o valor do seu trabalho

Sabe o que vai acontecer quando você for claro com seu cliente? Ele vai entender o valor do seu trabalho e vai reconhecer que o orçamento que ele aprovou realmente valeu à pena. E vai lembrar de você nos próximos projetos.

Isso não quer dizer que o mundo da relação entre cliente e designer vai virar o mundo colorido das aprovações de primeira, mas vai fazer com que, após o projeto aprovado e publicado, todo mundo saia satisfeito, de ambos os lados. Ah, e o público final também, de preferência.

unicorn-rainbown

Créditos: Greg Gunn

6 – Nem todo cliente vale à pena

Defenda-se dos falsos clientes. Se o projeto parecer furada desde a proposta, pule fora. Aquela concorrência do tipo “faça antes que eu pago depois” pareceu estranha? Rejeite. O cliente disse que o outro designer cobrava menos da metade do valor? Explique o porquê do seu preço e diga que fica pra uma próxima.

Você, assim como todo profissional, deve defender o seu trabalho e reconhecer sua qualidade. Faça valer os seus anos de experiência, a sua faculdade, a sua criatividade e técnica. Fuja das armadilhas.

gato-lobo-gif

Créditos: Greg Gunn

7 – Seja justo

Nem só de clientes chorões é feito o mercado. Designers que cobram valores bem irregulares sem um critério de precificação (valor-hora, valor por projeto, tamanho do cliente, qualidade dos seus projetos) também tem aos montes. Claro que existe uma variação na hora de dar valores aos jobs, mas acredite, ela não é aleatória.

O ruim de criar um preço aleatório é que, oras você pode se dar bem e oras você pode se dar mal, saindo no prejuízo. E, por outro lado, ao cobrar demais, você pode perder a oportunidade de ter um cliente legal pagando bem, justamente por ter cobrando um valor tão acima do mercado que você foi descartado.

Se quiser uma ajudinha para entender onde você se encaixa no mercado, pode dar uma olhada na Tabela ADEGRAF. Lembrando que esta tabela não é reguladora de preço algum. Mas pode dar um norte a quem tá perdido.

money

Créditos: Greg Gunn

8 – Não reclame do passado. Aperfeiçoe o futuro.

Este tópico não é nome de livro de auto-ajuda. Mas é um conselho a respeito dos problemas que você já teve com clientes no passado. Em vez de chorar, observe qual foi o ponto problema e se proteja nas próximas vezes.

Foi o excesso de alterações? Coloque um limite de alterações no seu orçamento. Foi um calote? Divida o pagamento em 50/50, com metade do pagamento para começar o trabalho e metade para entregar o projeto final. Foi cliente metido a designer? Defenda suas criações explicando os porquês de tudo (ok, é chato pra caramba ficar defendendo o porque da fonte ser light ou o papel ser branco), mas ajuda seu cliente a entender que você não é manobrista de pixel.

Simplesmente observe os problemas e os transforme em soluções. Você já faz isso mesmo como designer… 😉

9 – Você também é o cliente de alguém

Só lembrar disso já faz a gente repensar algumas atitudes.

client-gif

Créditos: Greg Gunn

10 -Faça sempre seu melhor

Quer fazer um bom cliente voltar? Trabalhe bem. Simples assim.

Mas trabalhar bem não é só criar um projeto lindão. É pensar nos detalhes, como organizar os arquivos, cumprir prazos, conversar com o cliente, obter um feedback do projeto (perguntar se o resultado foi legal com o público).

Todo mundo quer ser bem atendido. E no caso de freelas, você é o seu próprio atendimento.

genius

Créditos: Greg Gunn

Tem alguma experiência legal de designer-cliente pra compartilhar? Comenta aí!