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Afinal, você é um profissional

Oi pra você que é designer, desenvolvedor, ilustrador, freelancer fulltime ou não. Esta é uma simples lista de tópicos que você deve lembrar quando topar participar de um projeto. Nada novo, que ninguém já não saiba, mas uma refrescada na memória faz um bem danado. Ainda mais se você lembrar que falta de profissionalismo pode te fazer perder muitos clientes.

1 – Antes de tudo, pondere

Você está louco por uma workstation completamente lotada de Macs e iPads e iPhones. A Apple não quer patrocinar você como garoto propaganda, então o jeito é comprar. Pra comprar você precisa de grana, e pra isso vai em busca de freelas. Sai pegando o que vê pela frente, seja vetorização da marca do Seu Joaquim, ou site da clínica de depilação da sua tia. Mas, calma…

Antes de querer ter a sua workstation Apple, pense com que propósito você vai usá-la. Muita quantidade, pouco prazo, falta de controle sobre seus projetos. Isso pode te trazer dores de cabeça, prejuízo e uma boa gastrite.

Pondere os projetos que valem à pena, não só por questão de grana, mas tempo e produtividade. E não tenha medo de dizer não aos pretendentes.

2 – Tio Aurélio é seu amigo

Se você tem problemas com o Português, aconselho dar uma lida nos cadernos do Segundo Grau, tirar a dúvida sobre as novas regras de ortografia, ler bastante livros. Afinal, se você está lidando com seu cliente diretamente, o mínimo que você pode fazer é falar e escrever corretamente. Este papo de “se eu escrevesse direito eu seria redator” não está com nada. Se você escreve direito isso conta muito ponto. Se não conta, pelo menos não deixa sua conta no negativo. Você gostaria de deixar seu projeto nas mãos de alguém que responde seu email mandando um “orssamento auterado”?

Ah, vale lembrar sobre o Internetês. Se você já tem um contato mais informal com seu cliente, não vejo problemas em escrever algumas coisas abreviadas, como vc, qd, mt. Mas tem limite. Ninguém é obrigado a entender o código morse. E se é o seu primeiro contato com o cliente então, evite. Afinal, email não é Twitter, restrito a 140 caracteres.

3 – O prazo

O prazo é o problema mais grave de todos os tempos ever, forever, always, que eu percebo nos profissionais da área. Desenvolvedores, vocês estão nessa lista negra também. Humpf.

Obviamente o prazo perfeito quase nunca é cumprido, uma vez que as coisas precisam de aprovação do cliente, muitas vezes o cliente é demorado em responder mesmo, outras vezes têm algum acréscimo de pedido, etc etc. Mas o fato é:  digamos que o projeto está correndo bem. Se você deu o prazo de 2 meses, não entregue depois de 3! Não faça prazos ninjas se você sabe que não pode cumprí-los. Se o cliente quer te obrigar a pegar o prazo ninja e você sabe que não pode, das duas uma: ou ele está te pagando muuuito bem para você abandonar as suas outras tarefas para dar total prioridade a ele, virar noites e comer pizza com Coca- cola e café, ou simplesmente você vai dizer a ele que não quer pegar o job e pronto. Não dá e tchau.

Se ele gostar do seu trabalho, ele vai abrir uma exceção. Se não, ele pode conseguir um personal ninja pra ele, mas pelo menos os seus outros jobs estão garantidos. Sua saúde e estômago também. Aliás, se você conhecer um amigo que seja BOM, e esteja disponível, indique, recomende. Pelo menos você tentou.

Sobre o tempo, passe a calcular quanto tempo mais ou menos você gasta nos layouts, nas pesquisas, nos códigos. Assim, sem compromisso, por alto. Daqui a pouco você vai conseguir dominar melhor o seu tempo de trabalho e respeitar isso nos orçamentos.

4 – O pagamento

Falou em grana, a perna da galera treme. Quem não sofreu um calote um dia? Quem não cobrou muito menos do que deveria? (Levanto a mão para todas essas respostas). Todos nós do clã freelancer sabemos que esse negócio de entregar o layout antes e depois receber não funciona. Raríssimos casos dão certo, e por serem tão raros é melhor não arriscar. Quando você contrata um pedreiro para fazer uma obra na sua casa, ele dá o orçamento, diz as coisas que você precisa comprar, você dá um adiantamento para ele começar a obra e no final de cada semana ele recebe uma porcentagem do trabalho dele, principalmente porque a maioria trabalha com um ajudante que recebe semanalmente também.

Meu amigo, se o pedreiro tem uma forma de pagamento organizada, você também deve ter. Não inferiorizando os pedreiros, de forma alguma, mas até criando uma semelhança entre o trabalho dele e o seu, afinal você e ele lidam direto com o cliente. Recuso a piadinha que seu tio faria: “afinal você constrói sites”, já que sites não são contruídos, são projetados (ui, que moral).

Sobre a forma de recebimento da bufunfa, uma forma de pagamento que eu aprendi em dos dos jobs que realizei foi o seguinte:

Separe o seu job por etapas e cobre por elas. Por exemplo: Wireframe ( 50% no início, 50% no final da fase), Layout ( 50 / 50), desenvolvimento, mesma coisa. Assim dá mais tempo para o cliente ir pagando e menos chance de você perder uma quantidade grande de grana. Afinal se ele desistir do desenvolvimento, você já vai ter recebido pelas outras 2 etapas.

5 – Paciência

Seu cliente pode ser digno das pérolas do Design, pode não entender nada de internet ou te ligar falando que você não mandou o site anexado no email pra ele ver. Querido freelancer, tenha paciência. Ele não é obrigado a entender de tudo. Cabe a você explicar as coisas pra ele da melhor forma possível. O site tem CMS, manda um manual de uso do gerenciador de conteúdo para ele saber atualizar. Fez um logo? Manda o manual de uso todo explicadinho. Explique o processo do projeto de Design. Explique, explique, explique. Não hesite em ser claro com ele. Claro que você não vai dar uma aula de HTML ou Psd para ele, mas quanto ao que precisa ser explicado, seja claro. E paciente.

6 – Boa vontade

Fazer de qualquer jeito traz retrabalho. Quando fizer, pense que você poderá pegar de novo aquele projeto no futuro. Faça o seu melhor. Organize as layers no PSD. Nada de acabamento mal feito. Valide os sites depois de programados, anote o que precisa ser melhorado. Sugira soluções para o seu cliente. Capricho nunca é demais.

7 – Divulgue

Por último, divulgue. Se o trabalho que você fez ficou legal, divulgue em galerias online, Flash ou CSS, blogs de Design, Web from Brazil. Seu cliente vai adorar saber que o projeto “dele” tem algum prestígio. E você vai ter mais chances de conseguir clientes novos e melhores. Ponto pra você.

Se você é realmente profissional ou quer ser, essa lista pode te dar uma mãozinha. Fica a dica.

Letícia Motta

Designer gráfico com experiência no mercado há mais de 15 anos, atua nas áreas de design gráfico, digital design e direção de arte. Bacharel em Design, com extensão em Coolhunting e MBA em marketing digital. Fundadora do estúdio leticiamotta.com.

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